{"id":11857,"date":"2020-09-03T11:16:52","date_gmt":"2020-09-03T14:16:52","guid":{"rendered":"https:\/\/meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br\/?p=11857"},"modified":"2020-09-03T11:16:52","modified_gmt":"2020-09-03T14:16:52","slug":"por-que-e-tao-dificil-gostar-direito-conselhos-para-estudantes-com-crise-vocacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cdn.meusitejuridico.com.br\/2020\/09\/03\/por-que-e-tao-dificil-gostar-direito-conselhos-para-estudantes-com-crise-vocacional\/","title":{"rendered":"Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil gostar do Direito? Conselhos para estudantes com crise vocacional"},"content":{"rendered":"<p><em><br \/>\n\u201cHoje \u00e9 a semente do Amanh\u00e3. N\u00e3o tenha medo que esse tempo vai passar. N\u00e3o se desespere, nem pare de sonhar. Nunca se entregue. Nas\u00e7a sempre com as manh\u00e3s. Deixe a luz do sol brilhar no c\u00e9u do seu olhar. F\u00e9 na vida, f\u00e9 no homem, f\u00e9 no que vir\u00e1. N\u00f3s podemos tudo. N\u00f3s podemos mais. Vamos l\u00e1 pra ver o que ser\u00e1\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Gonzaguinha, <em>\u201cNunca Pare de Sonhar\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Qual aluno de direito nunca se perguntou \u201co que \u00e9 que eu estou fazendo aqui?\u201d ao assistir a uma aula de <em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em> <em>ao Direito <\/em>quando o esfor\u00e7ado professor tenta explicar a diferen\u00e7a entre direito natural e direito positivo? Quem nunca se sentiu como um peixe fora d\u2019\u00e1gua ao ler um livro rebuscado que explica, num tom misterioso, a diferen\u00e7a entre <em>ser <\/em>e <em>dever ser<\/em>? Quem n\u00e3o preferia estar em casa dormindo ao inv\u00e9s de estar assistindo a uma sonolenta aula sobre a teoria da justi\u00e7a de Arist\u00f3teles?<\/p>\n<p>Essas angustiantes d\u00favidas vocacionais atormentam praticamente a todos os alunos que acabam de ingressar no curso de direito sem saber ao certo o que o destino lhes reserva para o futuro. Tamb\u00e9m passei por isso. Sofri muitas crises semelhantes, at\u00e9 mesmo antes de ingressar na faculdade.<\/p>\n<p>Naquele momento, ainda adolescente, n\u00e3o via qualquer perspectiva profissional pela frente. Acabei decidindo pelo direito muito mais por falta de op\u00e7\u00e3o. Nunca tive qualquer parente na \u00e1rea jur\u00eddica, o que me preocupou no in\u00edcio, j\u00e1 que o pensamento dominante na \u00e9poca, e talvez ainda hoje, era o de que o sucesso profissional, seja na advocacia, no minist\u00e9rio p\u00fablico ou na magistratura, dependia do sobrenome que a pessoa ostentava.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo conclu\u00ed o curso, em 1999, percebi que essa ideia era, em grande medida, equivocada. Como qualquer atividade, o sucesso no mundo das profiss\u00f5es jur\u00eddicas depende, essencialmente, do m\u00e9rito pessoal e de algumas oportunidades que v\u00e3o surgindo pelo caminho (mais oportunidades para uns do que para outros, infelizmente). Chamo de sucesso n\u00e3o o mero \u201cganhar dinheiro\u201d, mas a plena satisfa\u00e7\u00e3o de fazer o que gosta e de ser reconhecido por isso. Ser aprovado em concurso, ser contratado por um grande escrit\u00f3rio, ser elogiado pelos seus colegas de trabalho, estar feliz consigo pr\u00f3prio, de um modo geral, isso tudo \u00e9 totalmente independente de parentesco ou de sorte. Depende muito mais de esfor\u00e7o, motiva\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o, foco e, sobretudo, amor ao que se faz.<\/p>\n<p>Foi com base nisso que resolvi escrever o texto que segue abaixo. N\u00e3o \u00e9 um texto de \u201cauto-ajuda\u201d ou algo parecido, embora tamb\u00e9m sirva a esse prop\u00f3sito. Na verdade, \u00e9 um texto que procura motivar\u00a0\u00a0aluno, tentando convenc\u00ea-lo de que \u00e9 poss\u00edvel gostar do direito, apesar de tudo.<\/p>\n<p>Desde que o publiquei pela primeira vez, l\u00e1 pelos idos de 2003, tenho recebido diversos <em>e-mails <\/em>elogiando o seu conte\u00fado e dizendo que ele foi respons\u00e1vel por significativas mudan\u00e7as pessoais. Talvez seja um pouco de exagero dos leitores, mas acho que, pelo menos, o texto tem o m\u00e9rito de confortar todos aqueles que, como eu, ca\u00edram de paraquedas na Faculdade de Direito. Al\u00e9m disso, \u00e9 o texto com mais visualiza\u00e7\u00f5es em toda a hist\u00f3ria do <em>blog <\/em>DireitosFundamentais. Net. Ent\u00e3o, aqui vai:<\/p>\n<h1>POR QUE \u00c9 T\u00c3O DIF\u00cdCIL GOSTAR DO DIREITO? CONSELHOS PARA ESTUDANTES COM CRISE VOCACIONAL<\/h1>\n<p><em>\u201cS\u00f3 aprendemos quando nos divertimos. A arte de ensinar n\u00e3o \u00e9 mais que a arte de despertar a curiosidade dos jovens para, em seguida, satisfaz\u00ea-los, e a curiosidade s\u00f3 \u00e9 viva nos esp\u00edritos felizes. Os conhecimentos que se metem \u00e0 for\u00e7a nas intelig\u00eancias os sufocam. Para digerirmos o saber, \u00e9 preciso devor\u00e1-lo com apetite\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Anatole France<\/p>\n<h1>UBI SOCIETAS, IBI JUS<\/h1>\n<p>\u201c<em>Ubi societas, ibi Jus<\/em>\u201d. Quase todos os livros de <em>Introdu\u00e7\u00e3o <\/em><em>ao Direito <\/em>come\u00e7am com essa frase em latim que significa que \u201conde h\u00e1 sociedade, h\u00e1 o direito\u201d, demonstrando a ineg\u00e1vel vincula\u00e7\u00e3o entre o direito e a vida em sociedade. Para n\u00e3o ser diferente, resolvi come\u00e7ar este texto com a mesma frase, mas n\u00e3o para coment\u00e1-la e sim para criticar. N\u00e3o ser\u00e1 uma cr\u00edtica sobre o conte\u00fado da afirma\u00e7\u00e3o, mas sobre a forma em que ela \u00e9 apresentada. Por que em latim?<\/p>\n<p>J\u00e1 a primeira leitura de um estudante de direito rec\u00e9m-ingresso retrata que a profiss\u00e3o que ele escolheu \u00e9 formalista, dando a impress\u00e3o de que \u00e9 preciso saber latim, ou fingir que sabe latim, para ser um bom profissional.<\/p>\n<p>Depois do latim, come\u00e7am a aparecer v\u00e1rias palavras estranhas que acompanhar\u00e3o o estudante por toda a sua vida acad\u00eamica e profissional. <em>Jurisprud\u00eancia<\/em>, <em>leg\u00edtima defesa putativa<\/em>, <em>exclus\u00e3o de antijuridicidade<\/em>, <em>interdito proibit\u00f3rio<\/em>, <em>repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito <\/em>enfim, \u00e9 uma<\/p>\n<p>salada de esquisitices que assustam num primeiro momento. E, para piorar, ainda ficam inventando sin\u00f4nimos para palavras bem simples. Por exemplo, interpreta\u00e7\u00e3o tem um monte de variantes: <em>hermen\u00eautica<\/em>, <em>ila\u00e7\u00e3o<\/em>, <em>exegese <\/em>(esta aqui, cada um pronuncia de uma forma diferente). Constitui\u00e7\u00e3o vira <em>Carta Magna<\/em>, <em>Lex Fundamentalis<\/em>. Hospital \u00e9 nosoc\u00f4mio; peti\u00e7\u00e3o inicial \u00e9 exordial; tribunal \u00e9 pret\u00f3rio! E assim fica aquela impress\u00e3o de que \u00e9 preciso falar e escrever dif\u00edcil para ser um bom jurista.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00f3gico que h\u00e1 termos jur\u00eddicos t\u00e9cnicos, como \u201ccompet\u00eancia\u201d, \u201cresponsabilidade\u201d e \u201ccapacidade\u201d, entre outras, que diferem um pouco do sentido popular. H\u00e1 tamb\u00e9m alguns termos que s\u00e3o tipicamente jur\u00eddicos, como \u201clitispend\u00eancia\u201d ou \u201ccoisa julgada\u201d, que possuem uma utilidade pr\u00e1tica inquestion\u00e1vel, pois facilitam a comunica\u00e7\u00e3o entre os juristas. Apesar disso, em geral, o que se nota \u00e9 um abuso lingu\u00edstico sem nenhum motivo plaus\u00edvel. Parece que alguns juristas gostam de usar a linguagem rebuscada como uma forma de manter os demais indiv\u00edduos longe do mundo do direito, como se as palavras fossem uma placa de \u201cpropriedade privada\u201d colocada num determinado assunto para que estranhos n\u00e3o se aproximem e n\u00e3o enxerguem os escombros argumentativos por detr\u00e1s dessa fachada de mentirinha.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Hoje, tenho a convic\u00e7\u00e3o de que, com isso, os juristas querem fazer da sua disciplina um campo inacess\u00edvel para os leigos, como se a erudi\u00e7\u00e3o fosse, por si s\u00f3, um elemento de legitima\u00e7\u00e3o. E o pior \u00e9 que parece funcionar, pois, lamentavelmente, muitas pessoas d\u00e3o mais cr\u00e9dito a um texto quando a linguagem \u00e9 rebuscada. J\u00e1 dizia Lucr\u00e9cio que \u201c<em>os tolos<\/em> <em>s\u00f3 apreciam e admiram as ideias ocultas em linguagem misteriosa<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Ao longo do curso, o aluno \u00e9 bombardeado com textos jur\u00eddicos cheios de palavras incompreens\u00edveis, que passam a ser gradativamente incorporados \u00e0 sua linguagem natural. Aos poucos, o aluno se acostuma com o estilo rococ\u00f3 e come\u00e7a a dispensar o dicion\u00e1rio. A partir da\u00ed, esse estudante \u2013 que pode ser considerado, agora, um verdadeiro dicion\u00e1rio ambulante, cheio de \u201cdata v\u00eania\u201d, \u201c<em>a priori<\/em>\u201d, \u201c<em>ad causam<\/em>\u201d, \u201c<em>ex vi<\/em>\u201d, \u201coutrossim\u201d, \u201cdestarte\u201d \u2013 continuar\u00e1 o legado de seus mestres, escrevendo e falando em linguagem empolada e orgulhosamente compreendida por apenas um c\u00edrculo m\u00ednimo de pessoas, como se fosse a coisa mais normal do mundo.<\/p>\n<p>As frases em latim, as palavras dif\u00edceis e as express\u00f5es estrangeiras podem ser consideradas como o primeiro banho de \u00e1gua fria no estudante de direito, como se fosse um tipo de prova de fogo.<\/p>\n<p>Muitos conseguem ultrapassar tranquilamente a essa fase de crise vocacional, at\u00e9 porque j\u00e1 existe uma imagem popular que refor\u00e7a essa necessidade de ser um \u201corador rebuscado\u201d para ser um bom profissional jur\u00eddico. Outros, por\u00e9m, j\u00e1 nessa fase, desistem, sem saber que existe muita coisa interessante no mundo do direito em que n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios brocardos latinos ou verborragia sem sentido.<\/p>\n<p>Como dica para conseguir ultrapassar a essa fase, recomendo que n\u00e3o d\u00ea muita import\u00e2ncia \u00e0 linguagem jur\u00eddica logo no in\u00edcio do curso. Acredito que j\u00e1 est\u00e1 havendo muita melhora nos textos jur\u00eddicos (n\u00e3o sei se j\u00e1 me acostumei, mas o certo \u00e9 que vejo muitos livros \u201cf\u00e1ceis\u201d de ler) e, com um tempo, ser\u00e3o poucos os autores que continuar\u00e3o fazendo cita\u00e7\u00f5es em latim ou alem\u00e3o e escrevendo propositadamente dif\u00edcil.<\/p>\n<h1>OS CL\u00c1SSICOS<\/h1>\n<p><em>\u201cDe que me serve conhecer os hor\u00e1rios dos trens se n\u00e3o tenho a menor ideia do destino da viagem e da esta\u00e7\u00e3o a que devo embarcar?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Michel Villey, <em>Filosofia do Direito<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>T\u00e3o logo ingressam na faculdade, os estudantes sentem uma saud\u00e1vel necessidade de ler os \u201ccl\u00e1ssicos\u201d. Fil\u00f3sofos gregos, pensadores do renascimento e do iluminismo, cientistas pol\u00edticos modernos, a toda hora querem se aproximar do estudante ne\u00f3fito. Sempre h\u00e1 um ou outro estudante que carrega consigo um livro de bolso de um autor cl\u00e1ssico e voc\u00ea imagina que se n\u00e3o ler vai ficar para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>O estudante, sentindo essa necessidade, pensa que ser\u00e1 f\u00e1cil \u201cdevorar\u201d esses livros, j\u00e1 que, ao que parece, todos os grandes profissionais do direito os leram. Por\u00e9m, logo nas primeiras p\u00e1ginas, percebe que a leitura n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o simples. \u201cAt\u00e9 que as palavras s\u00e3o compreens\u00edveis\u201d, pensa o aluno, \u201cmas o assunto \u00e9 chato demais\u201d.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o segundo banho de \u00e1gua fria do estudante. Ele sente a necessidade de ler os cl\u00e1ssicos, tenta ler esses livros, mas n\u00e3o consegue. Alguns at\u00e9 que conseguem, mas ap\u00f3s um tremendo esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Na sala de aula, os professores, acertadamente, refor\u00e7am a necessidade de ler esses livros. E a\u00ed, a crise vocacional surge novamente, j\u00e1 que se imagina que \u00e9 preciso gostar dos cl\u00e1ssicos para ser um bom profissional.<\/p>\n<p>E o que fazer?<\/p>\n<p>Seria uma irresponsabilidade de minha parte se dissesse que n\u00e3o \u00e9 importante ler os cl\u00e1ssicos. A base do pensamento atual \u00e9 toda encontrada nesses autores e o princ\u00edpio b\u00e1sico de qualquer processo de aprendizagem \u00e9 este: se voc\u00ea quiser dominar um assunto, siga os melhores daquela \u00e1rea. Como disse Isaac Newton, \u201c<em>se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, deve-se reconhecer que alguns livros s\u00e3o mesmo dif\u00edceis de ler. N\u00e3o \u00e9 qualquer um que consegue ler, com gosto, uma obra de trezentas p\u00e1ginas de um fil\u00f3sofo grego, sobretudo nessas impress\u00f5es mais econ\u00f4micas com a letrinha mi\u00fada.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o se desespere se voc\u00ea n\u00e3o gosta de ler os cl\u00e1ssicos. Saiba desde j\u00e1 que h\u00e1 dois tipos de leitura: a leitura por prazer e a leitura focada em aprendizagem. Ambas s\u00e3o muito \u00fateis para o seu engrandecimento intelectual. Mas a leitura focada em aprendizagem exige um tipo de esfor\u00e7o cognitivo mais alto, pois demanda foco, concentra\u00e7\u00e3o e planejamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o ato de ler \u00e9 como o ato de se exercitar, em que a evolu\u00e7\u00e3o ocorre gradualmente. Assim como um corredor iniciante n\u00e3o pode, sem treino, correr uma maratona, tamb\u00e9m um leitor iniciante, sem pr\u00e1tica, dificilmente conseguir\u00e1 ler um livro mais denso. Por isso, tenha consci\u00eancia do seu n\u00edvel de conhecimento atual e v\u00e1 gradativamente aumentando o desafio at\u00e9 conseguir dominar o material mais complexo.<\/p>\n<p>De qualquer modo, \u00e9 extremamente recomendado que voc\u00ea procure ler as obras escritas por quem \u00e9 refer\u00eancia no assunto, inclusive os cl\u00e1ssicos. Mas n\u00e3o imagine que v\u00e1 encontrar uma leitura t\u00e3o emocionante quanto a leitura de um livro de aventura.<\/p>\n<p>Por sinal, h\u00e1 muitos \u201cenlatados\u201d americanos que s\u00e3o bons para o estudante come\u00e7ar a gostar das \u201ctramas\u201d (no sentido bom da palavra) do direito. N\u00e3o tenha vergonha de ler, por exemplo, os romances jur\u00eddicos de John Grisham, escritor norte-americano que escreveu v\u00e1rios livros que deram origem a filmes holywoodianos, como \u201cA Firma\u201d\u00a0 e \u201cO Dossi\u00ea Pelicano\u201d. Outro autor no mesmo estilo \u00e9 Scott Turow, que escreveu bons \u201cromances de tribunal\u201d, como \u201cAcima de Qualquer Suspeita\u201d, \u201cOfensas Pessoais\u201d, \u201cErros Irrevers\u00edveis\u201d, entre outros. A prop\u00f3sito, no livro \u201cO Primeiro Ano Como se Faz um Advogado\u201d, Turow faz uma interessante descri\u00e7\u00e3o, num tom cr\u00edtico, do ensino jur\u00eddico nos Estados Unidos que vale a pena ser lida.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00f3gico que esses livros s\u00e3o pedagogicamente limitados, especialmente porque o direito americano \u00e9 diferente do direito brasileiro. Mas s\u00f3 o fato de ler algum tema relacionado com o direito j\u00e1 ajuda a desenvolver o gosto por essa mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Outro livro bom para come\u00e7ar a gostar do direito, que j\u00e1 se tornou o livro preferido dos professores de <em>Introdu\u00e7\u00e3o <\/em><em>ao Direito<\/em>, \u00e9 \u201cO Caso dos Exploradores de Caverna\u201d, de Lon Fuller. \u00c9 um livrinho pequeno, f\u00e1cil de ler e que tem tudo para empolgar o aluno. Tamb\u00e9m vale a pena ler o livro \u201cO Caso dos Denunciantes Invejosos\u201d, do mesmo autor. Recomendo ainda, com especial \u00eanfase, o livro \u201cOs Sete Minutos\u201d, de Irving Wallace, um livro excepcional que tem como pano de fundo um processo judicial envolvendo a liberdade de express\u00e3o nos Estados Unidos. Do mesmo modo, o livro \u201cO Leitor\u201d, de Bernard Schlink, \u00e9 uma \u00f3tima op\u00e7\u00e3o. E para n\u00e3o parecer que estou apenas indicando livros estrangeiros, recomendo o livro \u201cElite da Tropa\u201d, de Luiz Eduardo Soares, Andr\u00e9 Batista e Rodrigo Pimental, bem como o livro \u201cMeu Nome N\u00e3o \u00e9 Johnny\u201d, de Guilherme Fi\u00faza, que retratam alguns problemas atuais que podem interessar ao estudante do direito.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Dica fundamental: para gostar do direito \u00e9 preciso gostar de ler. Se mesmo ap\u00f3s ingressar na faculdade de direito, voc\u00ea ainda n\u00e3o tomou gosto pela leitura, comece com livros f\u00e1ceis de digerir, como os antes citados. Pode ler tamb\u00e9m livros policiais (gosto muito, por exemplo, de Agatha Christie) ou at\u00e9 romances como \u201cO C\u00f3digo da Vinci\u201d e \u201cAnjos e Dem\u00f4nios\u201d, de Dan Brown. Enfim, qualquer leitura \u00e9 v\u00e1lida. Mas, leia. Devore os livros. Depois de muitos livros, voc\u00ea perceber\u00e1 que os cl\u00e1ssicos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o chatos assim, especialmente se voc\u00ea compreender o problema central que seus escritores est\u00e3o tentando enfrentar.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, aqui vai uma dica para ler os cl\u00e1ssicos: n\u00e3o leia s\u00f3 por ler, que isso n\u00e3o leva a nada. Leia para dialogar, para fazer parte do debate. Envolva-se com o problema de que trata o livro e tente acompanhar o racioc\u00ednio do autor para perceber aonde ele quer chegar. Antes de encarar os livros mais densos, tente come\u00e7ar pelos livros introdut\u00f3rios, que geralmente fornecem um bom esbo\u00e7o do pensamento dos autores.<\/p>\n<p>Schopenhauer criticava os livros que nada mais faziam do que compilar o pensamento at\u00e9 ent\u00e3o produzido sem nada acrescentar de original. Para ele, os manuais de filosofia n\u00e3o substituiriam os originais. Afinal, \u201c<em>ler toda sorte de exposi\u00e7\u00f5es de doutrinas filos\u00f3ficas ou, de modo geral, a hist\u00f3ria da filosofia, em vez de ler as pr\u00f3prias obras dos fil\u00f3sofos, \u00e9 como querer que outra pessoa mastigue a nossa comid<\/em>4. Nesse aspecto, ouso discordar do fil\u00f3sofo alem\u00e3o. H\u00e1 alguns livros mais densos que s\u00e3o simplesmente intrag\u00e1veis. Por isso, \u00e9 melhor ter cuidado para n\u00e3o ter uma indigest\u00e3o logo no in\u00edcio de suas aventuras liter\u00e1rias. \u00c9 prefer\u00edvel, antes de partir para o prato principal, saborear alguma entrada fornecida pelos sistematizadores de filosofia que tentam esclarecer o significado do que os grandes pensadores disseram. Nem sempre os leigos s\u00e3o capazes de compreender as ideias de alguns fil\u00f3sofos lendo de forma direta, sem intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Outro ponto importante: n\u00e3o adianta ficar s\u00f3 decorando o que cada pensador disse. O importante \u00e9 compreender o significado de sua teoria e avaliar a for\u00e7a dos argumentos. Talvez isso facilite a compreens\u00e3o do texto e melhore o \u201csabor\u201d da leitura. Nesse aspecto, fa\u00e7o quest\u00e3o de invocar novamente Schopenhauer em meu aux\u00edlio, para concordar integralmente com suas palavras:<\/p>\n<p>Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade t\u00eam em mira apenas a informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a instru\u00e7\u00e3o. Sua honra \u00e9 baseada no fato de terem informa\u00e7\u00f5es sobre tudo, sobre todas as pedras, ou plantas, ou batalhas, ou experi\u00eancias, sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. N\u00e3o ocorre a eles que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um mero meio para a instru\u00e7\u00e3o, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma, no entanto \u00e9 essa a maneira de pensar que caracteriza uma cabe\u00e7a filos\u00f3fica. Diante da imponente erudi\u00e7\u00e3o de tais sabich\u00f5es, \u00e0s vezes digo para mim mesmo: Ah, essa pessoa deve ter pensando muito pouco para poder ter lido tanto!<\/p>\n<h1>EXCELENT\u00cdSSIMO DOUTOR<\/h1>\n<p>O problema do direito n\u00e3o est\u00e1 apenas nos livros e na linguagem dos profissionais. A forma de tratamento tamb\u00e9m \u00e9 intimidadora. H\u00e1 muita formalidade e frieza entre os profissionais, isso sem falar na vaidade e no orgulho.<\/p>\n<p>Quem assiste pela primeira vez a uma palestra de algum jurista tradicional, ficar\u00e1 assustado com tantos \u201cexcelent\u00edssimos\u201d e certamente dormir\u00e1 antes de o palestrante terminar os cumprimentos de praxe. Assista tamb\u00e9m a uma sess\u00e3o de algum tribunal (pode ser at\u00e9 atrav\u00e9s da TV Justi\u00e7a) que voc\u00ea tomar\u00e1 um susto com tanta lengalenga e pensar\u00e1 que a profiss\u00e3o jur\u00eddica \u00e9 a mais chata do mundo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso se assustar com esse tipo de coisa. \u00c9 natural que ainda existam juristas que valorizem esses protocolos formais, at\u00e9 porque \u00e9 dif\u00edcil mudar uma cultura t\u00e3o antiga. Mas j\u00e1 existem bons palestrantes que est\u00e3o sendo menos \u201cchatos\u201d e alguns ju\u00edzes que est\u00e3o dispensando tanta encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos ju\u00edzes, o problema \u00e9 um pouco mais s\u00e9rio. De tanto ser bajulado, o juiz acaba se acostumando com tratamentos pomposos e acha que todos devem trat\u00e1-los solenemente. Alguns consideram uma afronta serem chamados apenas de \u201csenhor\u201d, exigindo o tratamento \u201cmerit\u00edssimo\u201d, \u201cdoutor\u201d ou \u201cexcelent\u00edssimo\u201d! Quem n\u00e3o se lembra do juiz que ingressou com uma a\u00e7\u00e3o judicial para obrigar o porteiro de seu pr\u00e9dio a cham\u00e1-lo de doutor? \u00c9 de se lamentar que ainda existam mentalidades t\u00e3o pequenas, como se a forma de tratamento fosse um grande sinal de respeito.<\/p>\n<p>Existe, inclusive, uma anedota circulando no meio jur\u00eddico que conta que um advogado, cansado de tratar bem um juiz que demorava a julgar seu processo, ao inv\u00e9s de escrever na peti\u00e7\u00e3o \u201cExcelent\u00edssimo Juiz\u201d escreveu \u201cEsse lent\u00edssimo Juiz\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Esses tratamentos pomposos, arcaicos, tamb\u00e9m me fazem lembrar uma f\u00e1bula po\u00e9tica de La Fontaine, em que ele tenta demonstrar que esse tipo de comportamento talvez seja um mecanismo utilizado por pessoas med\u00edocres para compensar suas defici\u00eancias. Confira:<\/p>\n<p>Um burro carregado de rel\u00edquias julgava-se adorado.<\/p>\n<p>Nesse pensar se repimpava, recebendo como seus o incenso e as cantigas.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m se apercebeu do erro, e disse-lhe: \u2018Senhor Burro, suprimi do vosso esp\u00edrito uma vaidade t\u00e3o v\u00e3. N\u00e3o \u00e9 a v\u00f3s, mas sim ao \u00eddolo que esta honra \u00e9 prestada, e a gl\u00f3ria \u00e9 devida\u2019.<\/p>\n<p>Num magistrado ignorante \u00e9 a toga que \u00e9 saudada.<\/p>\n<p>Como forma de consolo, informo que essa mentalidade tamb\u00e9m est\u00e1 sendo aos poucos modificada. E cabe a voc\u00eas, profissionais do futuro, lutar para que isso seja mesmo mudado.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente por esses formalismos sem sentido que o povo est\u00e1 cada vez mais se distanciando da Justi\u00e7a. Os pobres, antes de baterem \u00e0s portas do Judici\u00e1rio, costumam fazer filas nas portas dos programas de televis\u00e3o para tentarem resolver seus problemas. Os apresentadores sensacionalistas acabam tendo mais credibilidade entre o pov\u00e3o do que os pr\u00f3prios ju\u00edzes. Ser\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 na hora de ser mais moderno e passar a falar a linguagem do povo ou pelo menos uma linguagem mais simples?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>AMAI PARA ENTEND\u00ca-LO<\/h1>\n<p><em>\u201cOra (direis) ouvir estrelas! Certo<\/em><\/p>\n<p><em>Perdeste o senso!\u201d E eu vos direi, no entanto, <\/em><em>Que, para ouvi-las, muita vez desperto<\/em><\/p>\n<p><em>E abro as janelas, p\u00e1lido de espanto&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>E conversamos toda a noite, enquanto<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A Via L\u00e1ctea, como um p\u00e1lio aberto,<\/em><\/p>\n<p><em>Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, <\/em><em>Inda as procuro pelo c\u00e9u deserto.<\/em><\/p>\n<p><em>Direis agora: \u201cTresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido<\/em><\/p>\n<p><em>Tem<\/em> <em>o que dizem, quando est\u00e3o contigo?\u201d <\/em><em>E eu vos direi: \u201cAmai para entend\u00ea-las!<\/em><\/p>\n<p><em>Pois s\u00f3 quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas\u201d. <\/em>Olavo Bilac <em>\u2013 Via L\u00e1ctea<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>No poema Via L\u00e1ctea, acima transcrito, Olavo Bilac reproduz um di\u00e1logo muito interessante, no qual um dos interlocutores confessa abertamente que \u00e9 capaz de conversar com as estrelas, enquanto o outro, mais c\u00e9tico, o chama de louco. Afinal, questiona o c\u00e9tico, \u201c<em>o que as estrelas dizem quando est\u00e3o contigo<\/em>\u201d? A resposta do \u201ctresloucado amigo\u201d foi sensacional: \u201c<em>amai para entend\u00ea-las, pois s\u00f3 quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e entender as estrelas<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Com o direito ocorre a mesma coisa. \u00c9 preciso amar para entend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Infelizmente, muita gente ingressa no curso de direito com o objetivo de ganhar dinheiro f\u00e1cil. Imagina-se que basta ter um diploma e um anel no dedo para se tornar rico. Quem pensa assim ser\u00e1 o \u00faltimo a conseguir ter sucesso na profiss\u00e3o, a n\u00e3o ser que j\u00e1 tenha um parente que lhe d\u00ea tudo de m\u00e3o beijada, o que \u00e9 rar\u00edssimo.<\/p>\n<p>O segredo do sucesso no meio jur\u00eddico \u00e9 o amor pelo direito. Esse amor, algumas raras vezes, vem do ber\u00e7o, mas quase sempre \u00e9 obtido apenas ap\u00f3s muito tempo de estudo e de viv\u00eancia pr\u00e1tica. H\u00e1 alguns que, desde crian\u00e7a, j\u00e1 sabem que ser\u00e3o ju\u00edzes, advogados ou promotores; outros, somente descobrem sua voca\u00e7\u00e3o depois de v\u00e1rios anos de labuta.<\/p>\n<p>O bom profissional do direito deve, antes de mais nada, amar\u00a0 o direito. E como diz o poetinha Vin\u00edcius de Moraes, \u201c<em>para viver um grande amor, preciso \u00e9 muita concentra\u00e7\u00e3o e muito siso, muita seriedade e pouco riso \u2013 para viver um grande amor<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para amar sem conhecer. E s\u00f3 se conhece, depois de alguns anos de conviv\u00eancia. Gostar e, sobretudo, amar o direito: na minha opini\u00e3o, esse \u00e9 o diferencial entre o bom e o mau profissional. E n\u00e3o precisa se desesperar se voc\u00ea ainda n\u00e3o gosta do direito. Esse gosto vem naturalmente, depois de muitos anos de decep\u00e7\u00f5es e de alegrias. Se n\u00e3o vier, a\u00ed n\u00e3o tem jeito: voc\u00ea est\u00e1 na profiss\u00e3o errada.<\/p>\n<p>Mais uma dica: n\u00e3o se deve escolher o campo de atua\u00e7\u00e3o pelo dinheiro que voc\u00ea pode vir a ganhar. Houve um tempo em que quem estudava direito ambiental, por exemplo, era considerado idealista e estava fadado a morrer de fome. Hoje, o direito ambiental \u00e9 um dos ramos mais promissores.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que ingressam no curso de direito por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas: o eterno sonho da juventude de querer mudar o mundo e construir uma sociedade mais justa e melhor. Depois de algum tempo, esses estudantes idealistas acabam se decepcionando, justamente porque o que predomina \u00e9 a mentalidade da gan\u00e2ncia e do dinheiro e acabam se afastando de seus ideais ou desistindo do curso, o que \u00e9 uma grande pena, pois os idealistas s\u00e3o os mais importantes para o direito. Para eles imploro que continuem com seus sonhos. N\u00e3o apaguem nunca a chama da juventude. No mundo jur\u00eddico, h\u00e1 sim muito espa\u00e7o para os sonhos. A pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u00e9 um instrumento poderos\u00edssimo para a constru\u00e7\u00e3o de um Brasil mais justo e solid\u00e1rio. E podem ter certeza de que voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s. H\u00e1 muita gente que acredita no direito como elemento de mudan\u00e7a social. Eu mesmo ainda guardo em meu cora\u00e7\u00e3o uma forte chama de amor \u00e0 Justi\u00e7a Social e fa\u00e7o de minha profiss\u00e3o um meio de construir uma sociedade mais fraterna. Digo, com sinceridade, que isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ret\u00f3rica vazia, mas \u00e9 o que sinto e tento p\u00f4r em pr\u00e1tica na minha miss\u00e3o como juiz e professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>A INFINITA IGNOR\u00c2NCIA<\/h1>\n<p><em>\u201cTenho a impress\u00e3o de ter sido apenas uma crian\u00e7a a brincar na praia e a encontrar, de vez em quando, uma pedrinha ou pequenina concha mais linda, enquanto o imenso oceano da verdade, inexplorado, se estendia na minha frente\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Isaac Newton<\/p>\n<p>A partir do segundo ano do curso de direito, ou at\u00e9 um pouco antes, surge outra crise vocacional no estudante: a ideia de que n\u00e3o sabe nada.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Quando a pessoa pensa que n\u00e3o sabe de nada sem ter estudado, significa que n\u00e3o se dedicou o suficiente e perdeu tempo com futilidades ao longo do curso. Se voc\u00ea est\u00e1 nessa situa\u00e7\u00e3o, pode tomar dois caminhos: ou come\u00e7a a estudar de verdade, para recuperar o tempo perdido, ou se acomoda com a situa\u00e7\u00e3o, preferindo ser um profissional med\u00edocre, sempre descontente com seu trabalho, j\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o aprendeu a gostar do direito.<\/p>\n<p>Quando falo que se deve estudar para recuperar o tempo perdido, n\u00e3o estou defendendo que se tranque em seu quarto e passe dez horas por dia lendo c\u00f3digos, leis ou outras chatices. Pelo contr\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 preciso perder a melhor fase de sua vida trancado com livros cheios de tra\u00e7as. Continue namorando, se divertindo, praticando esportes.<\/p>\n<p>O importante \u00e9 come\u00e7ar a adquirir uma disciplina para o estudo. Comece a ler as mat\u00e9rias de que voc\u00ea mais gosta. Tente firmar uma meta a longo prazo e crie um senso de autorresponsabilidade. Desenvolva t\u00e9cnicas de estudo que sejam eficientes para voc\u00ea. Comece a se interessar pelas discuss\u00f5es jur\u00eddicas. Isso n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil nem \u00e9 enfadonho, pois h\u00e1 muito debate jur\u00eddico interessante. Pesquise e escreva os resultados de sua pesquisa. De prefer\u00eancia, publique o que voc\u00ea escreveu. N\u00e3o deixe jamais de sentir prazer em aprender.<\/p>\n<p>No direito, h\u00e1 poucos g\u00eanios de nascen\u00e7a. O que h\u00e1 s\u00e3o pessoas que se encantam com os problemas jur\u00eddicos e n\u00e3o sossegam enquanto n\u00e3o conseguem resolv\u00ea-los. S\u00e3o pessoas obcecadas pelo saber, apaixonadas pelo conhecimento e permanentemente curiosas e interessadas em compreender o mundo \u00e0 sua volta. O encantamento com o conhecimento adquirido e por adquirir \u00e9 o \u00fanico est\u00edmulo aut\u00eantico de um verdadeiro estudante.<\/p>\n<p>Se entre os dois caminhos acima indicados voc\u00ea optou pelo estudo e ainda assim, mesmo depois de muito estudar, voc\u00ea continua pensando que n\u00e3o sabe de nada, maravilha, bom sinal. Voc\u00ea est\u00e1 no caminho certo, pois esse \u00e9 o segredo do estudo: quanto mais se aprende, menos se sabe. O conhecimento \u00e9 sempre limitado, enquanto a ignor\u00e2ncia \u00e9 infinita.<\/p>\n<p>O mundo do conhecimento funciona assim: cada livro que voc\u00ea ler ou cada novo conhecimento que voc\u00ea adquire abre as janelas para novos livros e novos saberes, que, por sua vez, abrem novas perspectivas para novas leituras e aprendizagens e o processo se repete infinitamente. De repente, voc\u00ea olha para tr\u00e1s e percebe que leu um monte de livros, aprendeu um monte de coisas, e, ainda assim, a sua lista de leituras futuras e de d\u00favidas cada vez mais aumenta. \u00c9 por isso que, quanto mais a pessoa aprende, mais se conscientiza de que nada sabe. Como diz um antigo prov\u00e9rbio: \u201c<em>n\u00f3s come\u00e7amos confusos e terminamos confusos num n\u00edvel mais elevado<\/em>\u201d.<\/p>\n<h1>ESCOLHI DIREITO OU ESCOLHI ERRADO?<\/h1>\n<p>Ao final deste texto, talvez voc\u00ea se sinta mais tranquilo, mas ainda assim esteja em d\u00favida quanto \u00e0 sua escolha. \u201cEscolhi direito ou escolhi errado?\u201d, voc\u00ea deve estar pensando em trocadilhos&#8230;<\/p>\n<p>Como o curso de direito se tornou \u201cmodismo\u201d, \u00e9 natural que muitos que ingressam nesse mundo n\u00e3o tenham mesmo voca\u00e7\u00e3o para qualquer profiss\u00e3o jur\u00eddica. E pode ter certeza: ao longo do curso, v\u00e1rias crises vocacionais lhe acompanhar\u00e3o. Tente apenas n\u00e3o se desesperar. Quase todos sentem a mesma coisa.<\/p>\n<p>Para concluir, sugiro que voc\u00ea n\u00e3o d\u00ea muita import\u00e2ncia \u00e0s minhas palavras, pois elas representam apenas uma das m\u00faltiplas formas de ver o direito. E o estudante do direito deve ter como lema n\u00e3o aceitar passivamente os argumentos que ouve ou que l\u00ea. A vis\u00e3o cr\u00edtica deve ser a principal caracter\u00edstica de um profissional do direito. Nunca se satisfa\u00e7a com uma \u00fanica maneira de ver qualquer quest\u00e3o. O direito \u00e9 dial\u00e9tico.<\/p>\n<p>Um determinado fil\u00f3sofo alem\u00e3o que j\u00e1 citamos v\u00e1rias vezes neste texto disse algo muito interessante. Ele falou que \u201c<em>aquele que pensa por si mesmo, que pensa por vontade pr\u00f3pria, de modo aut\u00eantico, possui a b\u00fassola para encontrar o caminho certo<\/em>\u201d. Devemos nos esfor\u00e7ar para raciocinar com a nossa cabe\u00e7a ao inv\u00e9s de pensar pela cabe\u00e7a dos outros. Por isso, construa sua pr\u00f3pria capacidade de pensar e de tomar decis\u00f5es. Fa\u00e7a voc\u00ea mesmo a sua hist\u00f3ria. J\u00e1 dizia Geraldo Vandr\u00e9, \u201c<em>quem sabe faz a hora n\u00e3o espera acontecer<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, fa\u00e7o um convite (ou uma intima\u00e7\u00e3o, para usar uma linguagem nossa). Convido-o desde j\u00e1 a assumir o <em>esp\u00edrito jur\u00eddico<\/em>. Seja um contestador. Pense, debata, dialogue. Se voc\u00ea quer ser um jurista de sucesso, levante-se da poltrona dogm\u00e1tica e fuja da pregui\u00e7a intelectual de receber tudo como um bovino domesticado. N\u00e3o se limite a absorver as informa\u00e7\u00f5es que lhe chegam passivamente. Corra atr\u00e1s do conhecimento e tamb\u00e9m produza conhecimento. Duvide, discuta, discorde. Fa\u00e7a uma leitura cr\u00edtica de tudo, at\u00e9 mesmo deste livro. N\u00e3o acredite em tudo o que lhe dizem. Desconfie. Pesquise. Estude. Descubra o que est\u00e1 por tr\u00e1s dos discursos. Interprete o que est\u00e1 nas entrelinhas. Use a imagina\u00e7\u00e3o. Saiba apresentar obje\u00e7\u00f5es e construir bons argumentos. \u00c9 isto que deveria caracterizar o pensamento jur\u00eddico: a constante abertura ao debate cr\u00edtico de id\u00e9ias e a busca sincera pela verdade e pela justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Seja bem-vindo ao mundo do direito! Algum m\u00eas em 2003<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cHoje \u00e9 a semente do Amanh\u00e3. N\u00e3o tenha medo que esse tempo vai passar. N\u00e3o se desespere, nem pare de sonhar. Nunca se entregue. Nas\u00e7a sempre com as manh\u00e3s. Deixe a luz do sol brilhar no c\u00e9u do seu olhar. F\u00e9 na vida, f\u00e9 no homem, f\u00e9 no que vir\u00e1. N\u00f3s podemos tudo. 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